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.: Café, a nossa segunda bebida. O ano todo.

Apesar da crise financeira mundial, o consumo interno de café continua crescendo. Segundo levantamento da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), entre novembro de 2007 e outubro do ano passado, foi registrado aumento de 3,21%, o que representou 17,66 milhões de sacas do produto, acima dos 17,11 milhões no período anterior. Para este ano, a expectativa é de que o setor cresça 3%, o que elevará o consumo para 18,2 milhões de sacas. Já as vendas, que no ano passado registraram R$ 6,5 bilhões, devem alcançar agora R$ 6,85 bilhões. O consumo per capita aumentou 2%. Em grão cru, chegou a 5,64 kg ou 4,51 kg de café torrado. São quase 76 litros por ano para cada brasileiro.

Uma pesquisa da entidade indicou que a penetração do café no gosto do brasileiro em 2008 foi de 97%, ante 91%, em 2001. Isso mostra que 9 em cada 10 brasileiros acima de 15 anos consomem café diariamente. E coloca a bebida como a segunda com maior penetração na população, atrás apenas da água e na frente dos refrigerantes e do, até então, inseparável leite. Mas os campeões de consumo são os países nórdicos, com um volume próximo dos 13 kg por habitante por ano. As exportações também renderam um saldo positivo para o setor. Passaram de US$ 26 milhões em 2007 para US$ 35,6 milhões no ano passado, um crescimento de 37%. Em sete anos, as vendas aumentaram quase 800%, considerando o embarque de US$ 4 milhões em 2002.

Entre os principais mercados estão Estados Unidos, Itália, Argentina e Japão. Os resultados positivos, no entanto,ficaram abaixo da expectativa da Abic, que estimou em 2004 que o consumo chegaria a 21 milhões de sacas em 2010. "A meta sempre foi desafiadora. A expectativa de crescer 5% ou 6% ao ano é um estímulo para perseguir a meta.Mas fica difícil alcançar essa meta, uma vez que 97% da população com mais de 15 anos já consome café", disse o diretor-executivo da Abic, Nathan Herszkowicz. Preço – O crescimento do setor não se reverteu no preço final. De acordo com o diretor da Abic, pesquisas quinzenais na cidade de São Paulo mostram que o produto custava em janeiro de 2008, em média, R$ 10,01 por quilo nos supermercados. Em dezembro do mesmo ano, o valor era de R$ 10,11 o quilo. "Desde 1994 até agora o café aumentou 30% no varejo, enquanto a cesta básica subiu 280% no mesmo período. Em contrapartida, o custo para a indústria passou de R$ 6,00 o quilo, em 1994, para R$ 8,50, atualmente.

Se o valor da saca não evolui, o produto torrado também não", disse Herszkowicz. Minas Gerais – Quanto à manifestação dos cafeicultores, realizada nesta semana, em Minas Gerais, o diretor da Abic foi enfático. "Não fazemos oposição à manifestação, mas o pleito não pode ser exagerado, privilegiando poucos e representando oportunismo. Temos como base da solução a renegociação da dívida, com prorrogação do prazo e juros mais baixos", afirmou. Os cafeicultores querem negociar o passivo da dívida, estimada em R$ 4,2 bilhões, com o governo e sugerem que o valor seja convertido em produto, com a saca valendo R$ 320, para ser entregue ao governo ao longo de 20 anos. As propostas ainda estão sendo analisadas.

 
 
 
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